O desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul tem ganhado força nos últimos anos, impulsionado por políticas públicas voltadas para o crédito e pelo fortalecimento do agronegócio e da indústria regional. Um dos instrumentos mais importantes nesse processo é o Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), criado para apoiar projetos empresariais e rurais, garantindo acesso a recursos que movimentam a economia e geram empregos.
Na 4ª reunião extraordinária de 2025, realizada na Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis (CEIF/FCO) aprovou uma série de medidas estratégicas. Entre as principais decisões estão o remanejamento de R$ 350 milhões do Programa FCO Empresarial para o FCO Rural, mudanças nos limites de crédito e a aprovação de 23 novas cartas-consulta, contemplando 17 municípios sul-mato-grossenses.
Essas resoluções reforçam o papel do fundo como motor de desenvolvimento regional e mostram a preocupação das autoridades em atender às demandas crescentes do setor produtivo.
O que é o FCO e qual sua importância?
O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) foi criado pela Constituição Federal de 1988 e regulamentado para apoiar atividades produtivas nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal. O objetivo é reduzir desigualdades regionais, ampliar investimentos e impulsionar setores estratégicos da economia.
O fundo é abastecido com recursos equivalentes a 0,6% da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o que garante previsibilidade e sustentabilidade de longo prazo. Com taxas de juros mais baixas do que as praticadas no mercado tradicional e prazos mais longos para pagamento, o FCO se tornou uma das principais fontes de crédito de médio e longo prazo para produtores rurais e empresários da região.
No caso de Mato Grosso do Sul, a importância é ainda maior: o estado tem no agronegócio e na indústria de transformação seus pilares econômicos, ambos setores que dependem fortemente de crédito acessível para expandir e inovar.

Remanejamento de R$ 350 milhões fortalece o FCO Rural
O destaque da reunião extraordinária foi a decisão de transferir R$ 350 milhões do FCO Empresarial para o FCO Rural. Esses recursos estavam disponíveis no segmento empresarial, mas não haviam sido utilizados até o momento. Com a mudança, passam a reforçar a linha rural, que registra alta demanda em Mato Grosso do Sul.
A medida é estratégica por duas razões:
- Atende ao aumento da procura no setor agropecuário, que busca financiamento para compra de máquinas agrícolas, caminhões, aviões agrícolas e implementos.
- Evita que recursos fiquem parados em áreas de menor procura, garantindo que o dinheiro seja aplicado de forma efetiva na economia estadual.
Com esse remanejamento, produtores terão mais condições de modernizar suas propriedades, investir em sustentabilidade, adotar novas tecnologias e ampliar a produção de alimentos.
Participação de instituições e agentes financeiros
A reunião contou com representantes de diferentes setores e instituições, evidenciando a importância coletiva do FCO. Estiveram presentes conselheiros da Semadesc, Sead, Seilog, Agraer e Imasul, além de representantes da iniciativa privada como Fecomércio, Fiems e Sebrae-MS.
No campo financeiro, participaram agentes que operam diretamente as linhas de crédito: Banco do Brasil, BRDE, Credicoamo e Sicredi. Essa pluralidade garante que as decisões sejam tomadas de forma equilibrada, contemplando os interesses do governo, do setor produtivo e das instituições financeiras.
A abertura da reunião foi realizada pelo secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Thomitão Beretta, que destacou a relevância do FCO como ferramenta de transformação regional.

Novos limites de crédito do FCO Empresarial
Outra decisão relevante foi a atualização dos limites de crédito do FCO Empresarial. As mudanças foram estabelecidas para alinhar as condições de financiamento às necessidades reais do mercado:
- Capital de Giro Dissociado: limite de R$ 1 milhão por tomador/CNPJ, considerando contratos já existentes com recursos do FCO.
- Capital de Giro Associado: seguem as condições da Programação FCO 2025, que prevê parâmetros mais adequados às diferentes realidades empresariais.
Essas medidas oferecem mais clareza e segurança para os empresários que utilizam o fundo, ao mesmo tempo em que evitam a concentração de crédito em poucas empresas.
Crédito ampliado para máquinas agrícolas e transporte
O agronegócio é a espinha dorsal da economia de Mato Grosso do Sul, e para manter sua competitividade, exige constante renovação tecnológica. Por isso, a reunião também aprovou a elevação do limite de financiamentos no FCO Rural para aquisição de:
- Máquinas agrícolas
- Implementos associados ou agregados
- Caminhões e seus agregados
- Aviões agrícolas
O montante destinado a essas operações passou a R$ 300 milhões, reforçando o apoio direto ao produtor rural. Essa mudança tem impacto imediato, já que permite maior capacidade de investimento em logística, mecanização e eficiência produtiva.

Aprovação de 23 cartas-consulta
Além das mudanças estruturais, o conselho também aprovou a liberação de novas propostas de financiamento. Foram 23 cartas-consulta aprovadas, divididas em:
- 8 cartas empresariais: totalizando R$ 44.105.005,10
- 15 cartas rurais: somando R$ 51.859.035,09
O valor total aprovado foi de R$ 95.964.040,19 em financiamentos, contemplando projetos em 17 municípios de Mato Grosso do Sul.
Essas aprovações representam mais do que números: são investimentos que geram empregos, fortalecem cadeias produtivas e promovem desenvolvimento local.
Balanço de 2025: quase R$ 1,9 bilhão investidos
Com as novas aprovações, o FCO já destinou quase R$ 1,9 bilhão em investimentos em Mato Grosso do Sul em 2025. Esse volume expressivo reforça o papel do fundo como principal instrumento de crédito de longo prazo no estado, ajudando a financiar desde pequenos empreendedores até grandes produtores.
Os recursos têm sido aplicados em diferentes setores, como agropecuária, comércio, indústria, serviços e logística, mostrando a amplitude do alcance do FCO.

Impactos para a economia sul-mato-grossense
As medidas aprovadas trazem impactos diretos e indiretos para a economia local. Entre os principais resultados esperados estão:
- Aumento da produção agrícola: com mais crédito para máquinas e implementos, os produtores poderão aumentar a produtividade e reduzir custos.
- Fortalecimento das cadeias de valor: investimentos rurais estimulam o setor de transporte, logística, comércio e serviços.
- Geração de empregos: tanto no campo quanto na cidade, os financiamentos contribuem para abrir novas vagas de trabalho.
- Sustentabilidade: parte dos recursos pode ser direcionada para práticas mais sustentáveis, como irrigação eficiente, energias renováveis e preservação ambiental.
- Diversificação econômica: o crédito empresarial mantém sua relevância, oferecendo alternativas para setores não ligados ao agro.
Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, alguns desafios permanecem. É preciso garantir que os recursos cheguem também aos pequenos produtores e microempresas, que muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar linhas de crédito. Outro ponto de atenção é a burocracia, que pode atrasar a liberação dos financiamentos.
A expectativa é que, com a adaptação constante das regras e a parceria entre governo, setor privado e agentes financeiros, o FCO continue desempenhando papel fundamental no desenvolvimento regional sustentável.
Considerações Finais
As decisões tomadas pelo Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis do FCO em Mato Grosso do Sul mostram o dinamismo do fundo e sua capacidade de adaptação às demandas da economia. O remanejamento de R$ 350 milhões para o setor rural, o aumento dos limites de crédito e a aprovação de novas cartas-consulta reforçam o compromisso com o crescimento do estado.
Com quase R$ 1,9 bilhão já destinados em 2025, o FCO consolida-se como o principal instrumento de financiamento de longo prazo de Mato Grosso do Sul, garantindo que recursos públicos sejam aplicados em projetos capazes de gerar empregos, fortalecer o agronegócio, modernizar empresas e promover o desenvolvimento sustentável.
O futuro da economia regional depende da continuidade de políticas como essa, que unem planejamento estratégico, participação coletiva e gestão eficiente dos recursos. O desafio agora é ampliar ainda mais o acesso, garantindo que os benefícios cheguem a todos os segmentos da sociedade.
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