Entenda os princípios do pensamento na margem e como eles influenciam as decisões de consumidores e empresários.
Se você não estuda Economia, provavelmente nunca ouviu falar do termo pensamento na margem. No entanto, trata-se de uma importante ferramenta teórica para se fazer análises econômicas.
O conceito de pensamento na margem surgiu na década de 1870, simultaneamente teorizado por três economistas: Carl Menger, Léon Walras e William Jevons, os quais foram pioneiros da Revolução Marginalista.
Esta vertente econômica, por sua vez, defende que as análises de custo-benefício devem ser feitas sempre na margem, ou seja, o que importa é observar as mudanças incrementais e não apenas os valores médios.
Assim, o raciocínio marginal pressupõe a existência de extremos, além do que as escolhas devem ser feitas a partir da análise de necessidade de pequenos ajustes ao redor daquilo que se está fazendo.
Pensamento do consumidor
Para ilustrar melhor, pode-se usar o exemplo a partir do qual surgiu a ideia que fundamenta a teoria do raciocínio ou pensamento marginal. Em Economia, diz-se que o consumidor tem utilidade marginal decrescente. Mas o que isso significa?
Basicamente, utilidade é uma medida de bem-estar das pessoas que atribui um valor numérico para sua satisfação. Ao se falar em utilidade marginal decrescente, está se dizendo que o consumidor, a cada nova unidade adquirida, obterá menos utilidade que o consumo da anterior.
Pense que você está no deserto e com muita sede. O primeiro copo de água que você beber te dará uma utilidade muito grande, mas à medida que você for bebendo, cada copo trará uma satisfação menor do que o anterior até o momento que você não vai querer beber mais nada. É exatamente isso que a teoria diz.
Tal pensamento, também pode ser utilizado quando estamos pensando pelo lado da produção, ou seja, uma firma normalmente possuirá custos marginais crescentes. Isso quer dizer que a cada nova unidade produzida, o custo dessa será maior do que a anterior.
Em Economia, as famosas curvas de oferta e demanda também representam exatamente essa ideia. Afinal, a demanda indica que a cada unidade nova, o consumidor está disposto a pagar um valor menor por ela – já que terá uma utilidade menor – enquanto as empresas cobram mais a cada unidade vendida – já que tiveram um custo maior por produzi-la.
Mas qual a importância desse pensamento? A verdade é que, utilizando tal raciocínio, você está otimizando seus recursos. Nesse sentido, olhar na margem quer dizer que suas escolhas devem ser pautadas sempre nos custos e benefícios marginais.
Isso significa dizer que, se você está em dúvida se deve investir ou não, o ideal a se fazer é perceber se o custo de uma nova unidade de maquinário, por exemplo, será menor do que os benefícios trazidos pela sua compra.
Custo de oportunidade x Custo contábil
Além disso, é importante ressaltar que custo em Economia é diferente do custo contábil. Nessa análise, o que importa é o custo de oportunidade, que significa o custo de se abrir mão da sua segunda melhor opção.
A teoria do custo de oportunidade parte do pressuposto de que, ao fazermos uma escolha, sempre estamos abrindo mão de outra. Em outras palavras, o custo de oportunidade é o benefício daquilo se está abrindo mão.
Por exemplo, se você tem uma quantia em dinheiro e pode colocá-la num título que rende 10% ao ano, para que você decida usar esse dinheiro para investir em máquinas, é preciso que a lucratividade dessas seja maior que 10%.
Esse pensamento permite que suas escolhas sejam ótimas, uma vez que, a cada nova unidade, é feita um processo de comparação entre custo e benefício que permite que você invista o máximo enquanto o benefício for maior que o lucro (ou excedente privado, em economês).
O importante é você fazer a análise unidade a unidade e não pensar na média ou todo. Assim, o pensamento na margem possibilita que você maximize suas decisões.
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